quinta-feira, 13 de maio de 2010

Silêncio & palavras....



...hoje....vingo o silêncio com as palavras...para que nunca te esqueças...do que sinto....




Nimbus

Grito....



...de que grito foi feito o meu beijo.... de que onda... minha saliva?...




Nimbus

Homem




do mito,
sai o deus,
do deus o demónio,
do demónio...o homem.....
Nimbus

Orgasmo...




...girino de barro,
leve clemência
de canibalismo,
devorarei o orvalho de teu ventre,
sem tocar tua carne,
nem escutar o gemido,
de um orgasmo teu.....



Nimbus

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Insano




insano,
me penso eu,
demente,
dizes tu,
louco,
me chamam os outros....
Selvagem,
diz o vento,
livre,
me escreve a lua,
rebelde,
me segreda o sol,
anda....
me abre os braços,
e me chama,
o mar.......


Nimbus

terça-feira, 11 de maio de 2010

Vendo a carne...


...vendo a carne,
os ossos....
para me esgueirar e em silêncio...
sem te acordar...
dormir a teu lado.....
Nimbus

Hoje...


....hoje,
quero libertar-te,
desta prisão...
...eu a pensar em ti....
Nimbus

Sábios, foram os deuses....




Sábios,foram os deuses,
que te vestiram de pele,
e te deram o cheiro do ouro....



Nimbus

Como gostava...




há...como gostava que tua água
me embriaga-se assim...
como as gotas desta chuva de canela e maio,
chuva de goma verde,
de rasto & pasto,
deitada na lama....



Nimbus

Faz de conta....



Faz de conta,
que estás aqui,
e que comigo prenúncias
por ordem
o silêncio, o murmúrio e o desejo,
faz de conta,
que caminhas a meu lado
pela estrema da cama
e incendiamos o pólen dos anjos,
faz de conta,
que a distância é tão curta,
que nem a notamos esfriar a vidraça,
faz de conta,
que em plena praia
inventamos a areia e a maré
e nela sucumbimos a partir,
faz de conta meu amor,
que nem eu, nem tu,
secamos as eiras de abraços,
nem os trilhos e sebes da cassiopeia,
faz de conta,
meu amor,
que fostes tu,
que me escrevestes,
e que
eu amei......


Nimbus

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Vivo....



...de que falo eu,
quando falo sozinho,
do que me riu,
se a felicidade è nómada
e partiu em busca dos prados,
o que penso eu,
quando nos lábios
já amadureceram e secaram
as palavras,
o que canto eu,
quando as rimas e as prosas,
seguiram a música,
mas eu fiquei,
e ficarei,
até que a pauta de latim,
me devore,
e me proclame....vivo.....


Nimbus

Perder e ganhar....



....hoje, perdi olhos
mas ganhei visão,
perdi boca,
mas ganhei palavras,
perdi membros,
mas ganhei asas,
perdi mesmo até o passado,
mas ganhei o futuro......


Nimbus

Porque te escondes?



Porque te escondes?
E me deixas abandonado
ao silêncio da noite…
e ao leve perfume do que não foi…
Vem! E traz contigo o cheiro, as palavras e o sabor……
Estou aqui,
e não quero desaparecer,
nem fujo de ti,
mas tu de mim,
ou de ti,
quando és um oceano
de amor e palavras,
e eu um simples riacho
onde apenas a lebre
vem matar a sede….


Nimbus

Passamos pelas coisas sem as ver...




Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.



Eugénio de Andrade

Como queres....



Como queres,
que um dia deixe a planície
e percorra o caminho até ao mar
com um pedaço de pão e uma calça rasgada…
se mesmo assim,
á distância
me largas e te ausentas
e não deixas,
nem o odor em teu rasto,
como queres...


Nimbus

Mendigo....




...eu disse-te, que sou um simples mendigo,
que a demência procria em mim,
o eco das palavras não sobe ao céu,
primeiro,
trespássa-nos a carne,
e entrega-nos débil,
a semente da manhã....



Nimbus

Quanto terror latente...



Quanto terror latente
nesse mar gelado
que desde sempre
levamos na alma.





António Castañeda

Sai...




...não disse, que ia comprar tabaco,
simplesmente sai...
fixei o olhar na calçada,
e bebi as esquinas
à mesa da noite....




Nimbus

Pus o meu sonho num navio



Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles

Longe...



...sinto-me longe do mundo....amnésia de sabão & uma pitada de ópio....





Nimbus