sexta-feira, 12 de março de 2010


.... e entre os repteis de ferro
que sussurram gritos de aflição,
como que sendo violados
pela ãnsia de suas presas,
fiz-me hóspede de ti,
e
murmurei,
Amo-te,
como se tuas pupilas
me denunciassem
dos crimes em que fui cúmplice.....
Eu também,
preferia que me abandonasses de vez
e que teus oradores
incessantes e hunos
me vendem-sem como escravo
a uma atalaia sem castelo.......
Nimbus

domingo, 7 de março de 2010



Os dias são inóspitos
campos de guerra
de onde levamos
o intenso cheiro a pólvora
nas asas dos sonhos......
E o leve aroma da brisa
de teu útero
como ferida
em pleno combate.....


Nimbus

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O abraço da solidão

A desistência no olhar,
e a vida que se esfuma em segundos...
segundos que me matam a alma,
a vida...
naquelas brumas em que me perdía
e encantava no teu olhar,
no agora...
nesta loucura que me envolve e
em que se enche o meu redor,
simplesmente existo,
num existir de um infinito que me dói...
hipnotizo-me na minha dor,
ela que nesta explosão de sentidos que correm a minha volta,
me abraça na minha solidão.


By Alexander the Poet

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010




















Quero ver-te feliz...
Ficar olhando-te a noite toda...
Sentir-te...
É maravilhoso...
São tantos os bons momentos...
Estarei sempre a teu lado
Brincando contigo
Dando-te força...
O teu beijo...
A nada se compara
Brigas...
Acontecem...
mas...
Sempre ficamos bem.
Pensar em ti...
em todos os momentos bons.
Acontece
quando estou longe de ti.
Farei de tudo...
para te ver feliz.
Lembra-te...
que eu estou aqui
lado a lado contigo.

Obrigada
por me deixares fazer-te feliz...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

De boca aberta






Em nossas brigas não voam televisões,
nem há corporais agressões:
o verbo é a flecha que nos perfura
mesmo nos tempos e modos que a gente se censura.
Trocamos o costumeiro texto sacana
por verborrágica luta insana
e, se alguém se sente em desvantagem,
apela pra figuras de linguagem,
misturando metáforas, pleonasmos,
com licenças poéticas, no orgasmo
ao medirem forças dois titãs.
Até que já sem fala, de manhã,
mais sedentos que famintos, como taças
nos bebemos um ao outro, extasiados
de repente sem palavras, embrigados,
(eis que a língua se enrola, a gramática falha),
nos lambemos em nossa cama de batalha,
onde desejos e tesões explodem atômicos
em delírios guturais, gozando afônicos.

Urhacy Faustino

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

CIDADE



















Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar de luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 13 de setembro de 2009










Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare

Demência




Hoje escreverei algo,
algo demente,
sobre os uivos que ouvimos juntos
e os distantes templos que visitámos,
não te negarei
e não irei desmentir tuas palavras,
agora,
que como simples acto da natureza
te transformei em
sagrado rubi efervescênte,
serei condenado
pelo beijo que me destes
e que cantei como eternamente meu.
não serão os monstros que pintámos
na noite
que te vão raptar,
mas sim,
o navegante,
em procura de silabas de ouro
e sons amênos de liberdade,
que um dia,
em furia,
te seduzirá
e mostrará
novas colinas verdejantes
com sabor a mel silvestre
e o odor de uma estrela,
que não poderei dividir.
não fujo
de ti, de mim
mas dele
que me atormenta
a saborear o rum de tua boca,
o verniz prateado de teu corpo,
algo me chama,
não me perguntes o quê
ou para onde,
pois desconheço esta voz
forte e sedutora,
envergada num vestido de seda
com cheiro lilás a poênte.....
.....ou então
apenas eu
sem nunca me cruzar
no espelho......

Nimbus



"Que estranho destino

é o meu que apenas me

consente paixões

ardentes e me faz

esgotar em amores

improváveis..."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009






"Na escuridão absoluta, a escuridão absoluta.

Na escuridão, o silêncio.

O frio.

O medo de qualquer coisa desconhecida.

E o tempo era o rio lento, negro,frio,

que levava consigo o tempo de quem perdeu tudo.

Eu sentia que morria devagar."



José Luís Peixoto in: Uma casa na escuridão

Procuro-te no meio dos papéis escritos





procuro-te no meio dos papéis escritos

atirados para o fundo do armário de vidrinhos

comias uvas no meio da página


a seguir era como se fosse noite

havia olhares que se cruzavam corpos

deambulações pela praia

era noite e alguém se aproximava


eu estava sentado passeando os dedos

pelas nódoas frescas do vinho sobre a mesa o caderno

onde de quando em quando rabiscava um rosto

e listas de nomes que não queria esquecer


paguei o vinho o pão e o queijo

levantei-me

tu cortaste-me a fuga vagarosamente preparada

pediste-me um cigarro


na outra página estávamos rindo

estendidos no pobre embarcadouro de madeira

planeávamos atravessar a noite mágica do rio


a página seguinte está em branco

mas lembro-me que te agarrei as mãos e disse:

todos os cigarros do mundo são para ti


Al Berto

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Vestígios



noutros tempos
quando acreditávamos na existência da lua
foi-nos possível escrever poemas e
envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
pelas salivas proibidas - noutros tempos
os dias corriam com a água e limpavamos líquenes das imundas máscaras
hoje
nenhuma palavra pode ser escrita
nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras
ou se expande pelo corpo estendido
no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se
onde se pode - num vocabulário reduzido e
obcessivo - até que o relâmpago fulmine a língua
e nada mais se consiga ouvir
apesar de tudo
continuamos e repetir os gestos e a bebera serenidade da seiva - vamos pela febre
dos cedros acima - até que tocamos o místico
arbusto estelar
e o mistério da luz fustiga-nos os olhos
numa euforia torrencial
Al-Berto
Horto de Incêndio

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Terror de te amar...


Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa
Sofia de Mello Breyner Andresen

domingo, 28 de junho de 2009


.....e fui apanhado pela tempestade,
em que a saudade,
....é o vento forte,
que me impede de seguir......
Nimbus

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Marujo...




Como adoro a maneira como me dizes,
a verdade que nos separa,
O cego e vagabundo amor que nos une…
E no leito de tuas palavras ,
Simplesmente marujo de tua cama,
Marujo de tua noite,
Como poderia um dia partir
E largar-te vazia num mar do norte,
E regressar
Demente de tua fonte,
Sabendo que
Na tua maré
Será impossível atracar
E largar minhas vestes
Num sóbrio e longo
Bafo de ar….


Nimbus

domingo, 21 de junho de 2009

Shine On - Blind Zero






She stepped into the park
I gave up looking for angels
Each moment loving the last one
The fear is walking us by
I understand all her demons
Relying on the day she will see
Shine on

Your freedom,I cannot bear
I'll try to be immune to the sadness
Now I pretend we are lovers
I keep wondering why
Shine on

You defy, I remain
Prisoner of your decisions
I dream, you laugh
I can remember how it started
One day, you'll see
Detaills will make all the difference
I love you, goodbye
Now you know i'm gone
Shine on

domingo, 14 de junho de 2009

Ausência...


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência,
essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 13 de junho de 2009

A Noite na Ilha..


Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha..

Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono, entre o fogo e a água
Talvez bem tarde nossos sonos se uniram na altura e no fundo
Em cima como ramos que um mesmo vento move
Em baixo como raízes vermelhas que se tocam..

Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes.. quando nem existias..
Quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou..

Cheias as mãos, porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida..

Dormi junto contigo a noite inteira.. enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos..

De repente desperto e no meio da sombra meu braço rodeava a tua cintura..
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos..

Dormi contigo.. despertei.. e tua boca saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida.. e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia..
Pablo Neruda

terça-feira, 9 de junho de 2009

No mar que navego...






No mar que navego

Na voz que oiço

No corpo que possuo

No tempo que passa..



Só tu.. tens o saber da vida

O sentido das emoções

O instintivo talento do amor

O toque imprevisível

Que torna um prazer eterno..


Só tu.. com os teus expressivos olhos

O sussurrar do coração entre os dedos

Conheces do amor os segredos

E assim fascinas.. assim cativas..



mjm

domingo, 24 de maio de 2009

Sozinho...



Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado,
juntandoO antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?