quarta-feira, 1 de abril de 2009

Há palavras que nos beijam,


Há palavras que nos beijam,

Como se tivessem boca.

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperança louca.


Alexandre O'Neill

segunda-feira, 30 de março de 2009

Silhueta...


.....e se éssa silhueta
é somente imaginação,
então....de onde
vem este cheiro
de mar revolto
que traz o polên de tua boca,
ésta saudade cintilante
fossilizada em meu peito,
como que se eternamente
acolhe-se-mos
o êxtase de uma flor!
Nimbus

Cidade



Cidade
que explodes de fúria,
corpos quentes
entre cimento e ferro cremado
frenéticas danças de suor
e gritos desesperados.
Abismos
em movimento
no dorso gélido do olhar,
Desejo ao rubro
cego pela demência do tempo,
dos dias enfeitados
com creme e luxúria.....

....e entramos pela porta da frente,
e ela
pediu que ficassemos,
ali
em sua ira aninhados
no algodão e lantejoulas,
que em sua casa
são segredos e medos,
cumes
outrora conquistados.
Todas as almas se tocam,
mas não formam a mesma cor.....


Nimbus

segunda-feira, 2 de março de 2009

Medo de Amar





Eu quero ser possuída por você
pelo seu corpo
pela sua protecção
pelo seu sangue.
Me ama!
Eu quero que você me ame
e fique eternamente
me amando dentro de mim.
me envolvendo, me decifrando,
me consumindo, me revelando
como uma tarde dentro do elevador
num Verão voltando da praia.
E você me abraçou e eu te abraçei
e quanto mais eu me entregava,
mais nascia o meu desejo
e mais eu te queria
sem palavras, sem sentimentos.
A vida inteira resumida
só no desejo da tua boca
dizendo o meu nome.
Da tua mão
conduzindo a minha mão,
do teu corpo revelando o meu corpo
como se o mundo fosse pela primeira vez.
Você! Meu ponto de referência nesta cidade.



José Vicente

domingo, 1 de março de 2009




...O valor das coisas

não está no tempo

em que elas duram,

mas na intensidade

em que elas acontecem.

Por isso

existem momentos inesquecíveis,

coisas inexplicáveis

e pessoas incomparáveis....



Fernando Pessoa

sábado, 28 de fevereiro de 2009




"Todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais que os outros!"






George Orwell,
Triunfo dos Porcos

domingo, 1 de fevereiro de 2009


..... e este cisne branco
que bailha entre nós,
é apenas o principio de um monstro
que despertou do seu sono molhado.......

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tenho medo....
Medo de perder a esperança...
Medo de esquecer quem sou...
Medo de me perder em meus pensamntos, e não conseguir olhar em frente...
Nem de ver a realidade... o receio que me assombra mais que a morte, de não identificar o que realmente é importante...
O que me faz Feliz....entretanto os dias passam e eu..... aqui inutil.... imovel....estou acorrentada ao mau presagio que me assombra, dia e noite....
Quero sair do Poço....da escuridão....
O sol não me pode abandonar.......
Eu quero lutar......

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009




"Tenho de ter paciência para não me perder dentro de mim. Vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída".

domingo, 4 de janeiro de 2009





Um dia...

Amor...

Teus contornos abandonarão minha pele....

E eu serei novamente.....

Nu...





quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Minha Dor

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...

A minha Dor é um convento. Ha lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro!
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008



Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Assim eu sei...



Pelas cores da minha estrada,
Vou embora e chego lá.
Olho para ti
Ou não olho
Como sei
Ou não sei
Que tudo o que é ou não é
É a minha estrada
Ou não é nada.
Serei
O sitio onde me leva
E não sei se chego lá…,
Mas serei a minha estrada
Ou não serei nada.
Assim eu sei.


Lost In The Stars

domingo, 14 de dezembro de 2008

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

sábado, 13 de dezembro de 2008


"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre."


"A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

...quais ventos,
quais sóis,
quais luas ou estrelas,
se a minha paixão
dorme em teu ventre.....







Nimbus
...e meu lápis,
conduz-me a ti....



....numa louca
procura de linhas....





Nimbus

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"... teu nome, pronuncia teu nome
para que seja impossível esquecer-me do meu.
diz-me o teu nome de ontem,
quando éramos o reflexo exacto um do outro.
Toca-me o rosto com o teu nome,
ou pousa-o sobre as mãos;
debruça-te para dentro de mim
e deixa que o segredo do tempo fulmine os ossos."



Al Berto - O Medo

Entre o luar e o arvoredo



Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.
Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.