domingo, 1 de março de 2009




...O valor das coisas

não está no tempo

em que elas duram,

mas na intensidade

em que elas acontecem.

Por isso

existem momentos inesquecíveis,

coisas inexplicáveis

e pessoas incomparáveis....



Fernando Pessoa

sábado, 28 de fevereiro de 2009




"Todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais que os outros!"






George Orwell,
Triunfo dos Porcos

domingo, 1 de fevereiro de 2009


..... e este cisne branco
que bailha entre nós,
é apenas o principio de um monstro
que despertou do seu sono molhado.......

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tenho medo....
Medo de perder a esperança...
Medo de esquecer quem sou...
Medo de me perder em meus pensamntos, e não conseguir olhar em frente...
Nem de ver a realidade... o receio que me assombra mais que a morte, de não identificar o que realmente é importante...
O que me faz Feliz....entretanto os dias passam e eu..... aqui inutil.... imovel....estou acorrentada ao mau presagio que me assombra, dia e noite....
Quero sair do Poço....da escuridão....
O sol não me pode abandonar.......
Eu quero lutar......

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009




"Tenho de ter paciência para não me perder dentro de mim. Vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída".

domingo, 4 de janeiro de 2009





Um dia...

Amor...

Teus contornos abandonarão minha pele....

E eu serei novamente.....

Nu...





quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Minha Dor

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...

A minha Dor é um convento. Ha lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro!
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008



Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Assim eu sei...



Pelas cores da minha estrada,
Vou embora e chego lá.
Olho para ti
Ou não olho
Como sei
Ou não sei
Que tudo o que é ou não é
É a minha estrada
Ou não é nada.
Serei
O sitio onde me leva
E não sei se chego lá…,
Mas serei a minha estrada
Ou não serei nada.
Assim eu sei.


Lost In The Stars

domingo, 14 de dezembro de 2008

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

sábado, 13 de dezembro de 2008


"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre."


"A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

...quais ventos,
quais sóis,
quais luas ou estrelas,
se a minha paixão
dorme em teu ventre.....







Nimbus
...e meu lápis,
conduz-me a ti....



....numa louca
procura de linhas....





Nimbus

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"... teu nome, pronuncia teu nome
para que seja impossível esquecer-me do meu.
diz-me o teu nome de ontem,
quando éramos o reflexo exacto um do outro.
Toca-me o rosto com o teu nome,
ou pousa-o sobre as mãos;
debruça-te para dentro de mim
e deixa que o segredo do tempo fulmine os ossos."



Al Berto - O Medo

Entre o luar e o arvoredo



Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.
Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Pele


Eu preciso. Mesmo que negue
necessito... do teu abraço, tua pele
teu sorriso, teu olhar, tuas mão nas minhas
me guiando pelas estradas de ruas vazias.
Eu quero. Mesmo que eu não seja perfeita;
você e eu, braços em laços nessa cama estreita.
Quero um gesto, uma palavra que me faça sentir
que essa existência valeu a pena quando eu partir.
E que nossos corpos sejam um único traço
dentro das linhas tortuosas que escrevi.
O nosso amor, nós dois, um laço
Um passo que sem ensaio me atrevi.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul

Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral,
Pináculo de catedral,
Contraponto, sinfonia,
Máscara grega, magia,
Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança

Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim

Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança

Eu tenho pena da Lua!
Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!…


As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas


Só a triste, coitadinha…
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha …


Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua…
E fico a chorar com ela! …



Florbela Espanca - Trocando olhares - 23/04/1917

Realidade...



...lá fora

a lua é uma realidade,

aqui...

o frio é saudade,

mendigo

nesse teu corpo nu,

aura de mel,

ventre de sabre

ferida eterna....

manta inútil,

neste aguçado

e mudo

grito por ti.......