Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.
Fernando Pessoa
sábado, 8 de novembro de 2008
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Anjo

Se vês estrelas demais
Lembra-te que um sonho não volta atrás
chega perto e diz
Anjo
Se sentes o corpo colar
Solta o teu medo bem devagar
Chega perto e diz
Anjo
Bem mais perto e diz
Anjo
Se uma coisa louca
Sai do teu olhar
Fica em silêncio
Deixa o amor entrar
Pra que tanta pressa de chegar
Se eu sei a forma e o lugar.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
...Os escritores raramente escrevem o que pensam. Limitam-se a escrever o que pensam que os outros pensam que eles pensam...
...Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente ....
....Falhamos ao traduzir exactamente o que se sente na nossa alma: o pensamento continua a não poder medir-se com a linguagem....
.....A subtileza do pensamento consiste em descobrir a semelhança das coisas diferentes e a diferença das coisas semelhantes....
....Os sentimentos dos que te são mais próximos constituem a crítica ao conhecimento que tu tens de ti mesmo, tanto em nobreza como em baixeza ....
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Amou....
Amou
E ama
E amará
Só não quer que seu amor
Seja uma prisão de dois,
Um contrato, entre boçejos
e quatro pés de chinelos.
Carlos Drummond de Andrade
E ama
E amará
Só não quer que seu amor
Seja uma prisão de dois,
Um contrato, entre boçejos
e quatro pés de chinelos.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Chuva
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
Jorge Fernando
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Mariza
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
A Vida passa lá em baixo
Há dias em que subo ao meu planeta...
E me sento na beirinha, olhando a vida lá em baixo...
Como água de um rio, ela passa sem parar...
E não nos deixa segunda oportunidade
Sempre pensei que ela me trataria de um modo,
Carinhoso e gentil....a ingenuidade me levava a crer...
Que haveria um dia... em que reclamaria para mim,
O prémio natural...de uma simples existência.
E me sento na beirinha, olhando a vida lá em baixo...
Como água de um rio, ela passa sem parar...
E não nos deixa segunda oportunidade
Sempre pensei que ela me trataria de um modo,
Carinhoso e gentil....a ingenuidade me levava a crer...
Que haveria um dia... em que reclamaria para mim,
O prémio natural...de uma simples existência.
sábado, 25 de outubro de 2008
Canção segredo
Eu queria ser alguém melhor
E ter assim razões para querer
Que o nosso amor te importa
E me vais abrigar se em teu coração começar a chover
Calando assim a voz que me diz
Nada mais o amor te deve
Mas é no coração que o escreve
Não queria temer pelo pior nem
Pelo que o futuro pode ou não vir a trazer
E se o nosso amor acabar meu amor eu juro
Que eu não quero mais viver
Calando assim a voz que me diz
Nada mais o amor te deve
Mas é no coração que o escreve
Meu amor não cantes esta canção
Ela não pertence ao mundo que eu quero para nós
Ela não vão embalar o nosso amor.
Manuel Cruz
E ter assim razões para querer
Que o nosso amor te importa
E me vais abrigar se em teu coração começar a chover
Calando assim a voz que me diz
Nada mais o amor te deve
Mas é no coração que o escreve
Não queria temer pelo pior nem
Pelo que o futuro pode ou não vir a trazer
E se o nosso amor acabar meu amor eu juro
Que eu não quero mais viver
Calando assim a voz que me diz
Nada mais o amor te deve
Mas é no coração que o escreve
Meu amor não cantes esta canção
Ela não pertence ao mundo que eu quero para nós
Ela não vão embalar o nosso amor.
Manuel Cruz
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
A noite grita por mim

A palavra a razão as vezes em vão gritada por mim em momentos de solidão, instinto carnal por vezes banal lembranças em mim desejo final.
Travar batalhas perdidas o mundo sozinho esquecido...
Porque a noite grita e chora sempre por mim, hoje ainda sinto esta ausência de ti, porque a noite grita e chora sempre por mim pois a noite sabe que não estas aqui para mim.
Procurando o vazio em um sonho tao frio que eu quero esquecer em um momento ta sombrio,
Travar batalhas perdidas o mundo sozinho esquecido.
Porque a noite grita e chora sempre por mim, hoje ainda sinto esta ausência de ti, porque a noite grita e chora sempre por mim pois a noite sabe que não estas aqui.
Para mim.
domingo, 19 de outubro de 2008
Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,
e desta sorteSou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvanecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
sábado, 18 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Round Here - Counting Crows
Step out the front door like a ghost into the fog
Where no one notices the contrast of white on white
And in between the moon and you the angels get a better view
Of the crumbling difference between wrong and right
I walk in the air between the rain through myself and back again
Where? I dont know
Maria says shes dying through the door I hear her crying
Why? I dont know
Round here we always stand up straight
Round here something radiates
Maria came from nashville with a suitcase in her hand
She said shed like to meet a boy who looks like elvis
She walks along the edge of where the ocean meets the land
Just like shes walking on a wire in the circus
She parks her car outside of my house
Takes her clothes off
Says shes close to understanding jesus
She knows shes more than just a little misunderstood
She has trouble acting normal when shes nervous
Round here were carving out our names
Round here we all look the same
Round here we talk just like lions
But we sacrifice like lamb
Round here shes slipping through my hands
Sleeping children better run like the wind
Out of the lightning dream
Mamas little baby better get herself in
Out of the lightning
She says its only in my head
She says shhh I know its only in my head
But the girl on car in the parking lot saysman you should try to take a shot
Cant you see my walls are crumbling?
Then she looks up at the building and says shes thinking of jumping
She says shes tired of life she must be tired of something
Round here shes always on my mind
Round here hey man got lots of time
Round here were never sent to bed early
And nobody makes us wait
Round here we stay up very, very, very, very late
I cant see nothing, nothing round here
Catch me if Im falling
Where no one notices the contrast of white on white
And in between the moon and you the angels get a better view
Of the crumbling difference between wrong and right
I walk in the air between the rain through myself and back again
Where? I dont know
Maria says shes dying through the door I hear her crying
Why? I dont know
Round here we always stand up straight
Round here something radiates
Maria came from nashville with a suitcase in her hand
She said shed like to meet a boy who looks like elvis
She walks along the edge of where the ocean meets the land
Just like shes walking on a wire in the circus
She parks her car outside of my house
Takes her clothes off
Says shes close to understanding jesus
She knows shes more than just a little misunderstood
She has trouble acting normal when shes nervous
Round here were carving out our names
Round here we all look the same
Round here we talk just like lions
But we sacrifice like lamb
Round here shes slipping through my hands
Sleeping children better run like the wind
Out of the lightning dream
Mamas little baby better get herself in
Out of the lightning
She says its only in my head
She says shhh I know its only in my head
But the girl on car in the parking lot saysman you should try to take a shot
Cant you see my walls are crumbling?
Then she looks up at the building and says shes thinking of jumping
She says shes tired of life she must be tired of something
Round here shes always on my mind
Round here hey man got lots of time
Round here were never sent to bed early
And nobody makes us wait
Round here we stay up very, very, very, very late
I cant see nothing, nothing round here
Catch me if Im falling
é tarde, meu amor...
é tarde meu amor
estou longe de ti com o tempo, diluíste-te nas veias das marés, na saliva de meu corpo sofrido
agora, tuas máquinas trituraram-me, cospem-me, interrompem o sono
habito longe, no coração vivo das areias, no cuspo límpido dos corais...
a solidão tem dias mais cruéis
tentei ser teu, amar-te e amar o falso ouro...quis ser grande e morrer contigo
enfeitar-me com as tuas luas brancas, pratear a voz em tuas águas de seda...cantar-te os gestos com ternura
mas não
águas, águas inquinadas pulsando dentro do meu corpo, como um peixe ferido, louco
em mim a lama... e o visco inocente dos teus náufragos sem nome-de-rua, nem estátua-de-jardim-público
aceito o desafio do teu desdém
na boca ficou-me um gosto a salmoura e destruição
apenas possuo o corpo magoado destas poucas palavras tristes que te cantam
estou longe de ti com o tempo, diluíste-te nas veias das marés, na saliva de meu corpo sofrido
agora, tuas máquinas trituraram-me, cospem-me, interrompem o sono
habito longe, no coração vivo das areias, no cuspo límpido dos corais...
a solidão tem dias mais cruéis
tentei ser teu, amar-te e amar o falso ouro...quis ser grande e morrer contigo
enfeitar-me com as tuas luas brancas, pratear a voz em tuas águas de seda...cantar-te os gestos com ternura
mas não
águas, águas inquinadas pulsando dentro do meu corpo, como um peixe ferido, louco
em mim a lama... e o visco inocente dos teus náufragos sem nome-de-rua, nem estátua-de-jardim-público
aceito o desafio do teu desdém
na boca ficou-me um gosto a salmoura e destruição
apenas possuo o corpo magoado destas poucas palavras tristes que te cantam
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
O ultimo adeus...
O NOSSO LIVRO

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor , do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.
Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios como que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!
Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!
Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
"Versos só nossos, só de nós os dois!"
Florbela Espanca
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