domingo, 26 de outubro de 2008

A Vida passa lá em baixo

Há dias em que subo ao meu planeta...
E me sento na beirinha, olhando a vida lá em baixo...
Como água de um rio, ela passa sem parar...
E não nos deixa segunda oportunidade

Sempre pensei que ela me trataria de um modo,
Carinhoso e gentil....a ingenuidade me levava a crer...
Que haveria um dia... em que reclamaria para mim,
O prémio natural...de uma simples existência.

sábado, 25 de outubro de 2008

Canção segredo

Eu queria ser alguém melhor
E ter assim razões para querer
Que o nosso amor te importa
E me vais abrigar se em teu coração começar a chover

Calando assim a voz que me diz
Nada mais o amor te deve
Mas é no coração que o escreve

Não queria temer pelo pior nem
Pelo que o futuro pode ou não vir a trazer
E se o nosso amor acabar meu amor eu juro
Que eu não quero mais viver

Calando assim a voz que me diz
Nada mais o amor te deve
Mas é no coração que o escreve

Meu amor não cantes esta canção
Ela não pertence ao mundo que eu quero para nós
Ela não vão embalar o nosso amor.

Manuel Cruz

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A noite grita por mim


A palavra a razão as vezes em vão gritada por mim em momentos de solidão, instinto carnal por vezes banal lembranças em mim desejo final.

Travar batalhas perdidas o mundo sozinho esquecido...

Porque a noite grita e chora sempre por mim, hoje ainda sinto esta ausência de ti, porque a noite grita e chora sempre por mim pois a noite sabe que não estas aqui para mim.

Procurando o vazio em um sonho tao frio que eu quero esquecer em um momento ta sombrio,

Travar batalhas perdidas o mundo sozinho esquecido.

Porque a noite grita e chora sempre por mim, hoje ainda sinto esta ausência de ti, porque a noite grita e chora sempre por mim pois a noite sabe que não estas aqui.

Para mim.

domingo, 19 de outubro de 2008

Eu


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,
e desta sorteSou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvanecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!


Florbela Espanca

sábado, 18 de outubro de 2008


Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Round Here - Counting Crows

Step out the front door like a ghost into the fog
Where no one notices the contrast of white on white
And in between the moon and you the angels get a better view
Of the crumbling difference between wrong and right
I walk in the air between the rain through myself and back again
Where? I dont know
Maria says shes dying through the door I hear her crying
Why? I dont know

Round here we always stand up straight
Round here something radiates

Maria came from nashville with a suitcase in her hand
She said shed like to meet a boy who looks like elvis
She walks along the edge of where the ocean meets the land
Just like shes walking on a wire in the circus
She parks her car outside of my house
Takes her clothes off
Says shes close to understanding jesus
She knows shes more than just a little misunderstood
She has trouble acting normal when shes nervous

Round here were carving out our names
Round here we all look the same
Round here we talk just like lions
But we sacrifice like lamb
Round here shes slipping through my hands

Sleeping children better run like the wind
Out of the lightning dream
Mamas little baby better get herself in
Out of the lightning

She says its only in my head
She says shhh I know its only in my head
But the girl on car in the parking lot saysman you should try to take a shot
Cant you see my walls are crumbling?
Then she looks up at the building and says shes thinking of jumping
She says shes tired of life she must be tired of something

Round here shes always on my mind
Round here hey man got lots of time
Round here were never sent to bed early
And nobody makes us wait
Round here we stay up very, very, very, very late
I cant see nothing, nothing round here
Catch me if Im falling

é tarde, meu amor...

é tarde meu amor
estou longe de ti com o tempo, diluíste-te nas veias das marés, na saliva de meu corpo sofrido
agora, tuas máquinas trituraram-me, cospem-me, interrompem o sono
habito longe, no coração vivo das areias, no cuspo límpido dos corais...
a solidão tem dias mais cruéis

tentei ser teu, amar-te e amar o falso ouro...quis ser grande e morrer contigo
enfeitar-me com as tuas luas brancas, pratear a voz em tuas águas de seda...cantar-te os gestos com ternura
mas não

águas, águas inquinadas pulsando dentro do meu corpo, como um peixe ferido, louco
em mim a lama... e o visco inocente dos teus náufragos sem nome-de-rua, nem estátua-de-jardim-público
aceito o desafio do teu desdém

na boca ficou-me um gosto a salmoura e destruição
apenas possuo o corpo magoado destas poucas palavras tristes que te cantam

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O ultimo adeus...


Todo o humano
se esvai
de sua face



logo ela desaparecerá
no calmo
pântano vegetal
Fique!Meu amor selvagem!

O NOSSO LIVRO


Livro do meu amor, do teu amor,


Livro do nosso amor , do nosso peito...


Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,


Como se fossem pétalas de flor.



Olha que eu outro já não sei compor


Mais santamente triste, mais perfeito


Não esfolhes os lírios como que é feito


Que outros não tenho em meu jardim de dor!



Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!


Num sorriso tu dizes e digo eu:


Versos só nossos mas que lindos sois!



Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente


Dirá, fechando o livro docemente:


"Versos só nossos, só de nós os dois!"



Florbela Espanca

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bella Luna


Mystery the moon

A hole in the sky

A supernatural nightlight

So full but often right

A pair of eyes a closing one

A chosen child in golden sun

A marble dog that chases cars

To farthest reaches of the beach and far beyond into the swimming sea of stars

The cosmic fish they love to kiss

They're giving birth to constellations

No riffs and oh no reservation

If they should fall you get a wish or dedication

May I suggest you get the best

For nothing less than you and I

Let's take a chance as this romance is rising over before we lose the lighting

Oh bella bella please

Bella you beautiful luna

Oh bella do what you do

Do do do do do

You are an illuminating anchor

Of leagues to infinite number

Of crashing waves and breaking thunder

Tiding the ebb an flows of hunger

You're dancing naked there for me

You expose all memory

You make the most of boundary

You're the ghost of royalty imposing love

You are the queen and king combining everything

Intertwining like a ring around the finger, of a girl

I'm just a singer, you're the world

All I can bring ya

Is the language of a lover

Bella luna, my beautiful beautiful moon

How you swoon me like no other

May I suggest you get the best

Of your wish may I insist

That no contest for little you or smaller I

A larger chance set, but all them may lie

On the rise, on the brink of our lives

Bella pleaseBella you beautiful luna

Oh bella do what you doBella luna

My beautiful beautiful moon

How you swoon me like no other, oh oh oh


Jason Mraz

Feiticeira


De que noite demorada
Ou de que breve manhã
Vieste tu, feiticeira
De nuvens deslumbrada
De que sonho feito mar
Ou de que mar não sonhado
Vieste tu, feiticeira
Aninhar-te ao meu lado
De que fogo renascido
Ou de que lume apagado
Vieste tu, feiticeira
Segredar-me ao ouvido
De que fontes de que águas
De que chão de que horizonte
De que neves de que fráguas
De que sedes de que montes
De que norte de que lida
De que deserto de morte
Vieste tu feiticeira
Inundar-me de vida.


Luis Represas

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Súplica


Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arrninho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d`astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente...Oh!
Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim etemamente!
...Vem para mim,amor...
Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!...


Florbela Espanca

Amor dos Fogos


.....vêm sôfregos os peixes da madrugada
beber o marítimo veneno das grandes travessias
trazem nas escamas a primavera sombria do mar largam minúsculos cristais de areia junto à boca
e partem quando desperto no tecido húmido dos sonhos
.... vem deitar-te comigo no feno dos romances
para que a manhã não solte o ciúme
e de novo nos obrigue a fugir....
.... vem estender-te onde os dedos são aves sobre o peito
esquece os maus momentos a falta de notícias a preguiça
ergue-te e regressa
para olharmos a geada dos astros deslizar nas vidraças
e os pássaros debicam o outono no sumo das amoras....
.... iremos pelos campos
à procura do silente lume das cassiopeias...

A felicidade exige valentia.


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

domingo, 12 de outubro de 2008

Rosto...


.... o teu rosto

é um segredo que guardo

em mim...

....numa ilha que

desejo conquistar.....

Mates are chosen first by visual appeal. Not odor, rythm, skin. It is an error to believe that the eye can caress a woman. Is a woman constructed out of light or of skin? Her image is never real in the eye, it is engraved on the ends of the fingers.



Texto publicado na revista eye - Doors

Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que nao vivi junto do mar.



Sofia de Mello Breyner Andresen

Os versos que te fiz



Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem pra te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder...

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!


Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E nesse beijo, Amor, que eu te não dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!



Florbela Espanca

Cicatrizes da Vida



Nós os dois pura matemática

Como num problema complexo de difícil resolução,

Fórmula vazia de nexo,

Num equilíbrio perfeito e lógico encontramos a solução

Nem sempre os momentos são bons

E tudo fica por dizer

Mas basta o teu olhar e eu sei que não me vou perder

Como que nos leva a fazer coisas que nós nem sempre queremos

Assim é o amor

Tempestade de impulsos, turbilhão de sentimentos

Mas apesar dos fracassos e das marcas que ficam de balas perdidas

São disparos certeiros que nos deixam marcadas

Cicatrizes da vida

Somas de parcelas que não são mais

Do que pedaços de ti e de mim,

Numa química onde somos iguais



Menito Ramos

Um enorme nada


Talvez não chegue a ser nada, mas o simples facto de me pôr a pensar no assunto já é bom sinal. Sinal de que os tempos mudam e com eles a minha vontade. Vontades que pensava perdidas. Sentimentos que julgava já não achar. Pensamentos que nunca pensei voltar a ter. Não foi desta que morri. Apenas morreu parte de mim. Mas a vida que me resta nas mãos ainda tem vontade própria. Estava muito longe. Uma vez mais não vi sinais. Não vi nada surgir de mansinho. Nenhuma sombra ou brisa surgiu primeiro. Daí não ter podido observar as cores nem os sons, muito menos cheiros. Porque serei eu tão desatenta à vida? Porque terei eu tanto medo de respirar, se tenho perfeita consciência que morro se não o fizer? Porque será que me sinto vazia sem estes sentimentos, mas fujo deles como se fossem terra de fogo e no entanto adoro-os?!

Contradições. Pedaços de mim. Se um dia conseguir juntar tudo de novo provavelmente voltarei a me encontrar. E se me encontrar que seja numa praia deserta, com novelos de espuma a correr, o coração cheio de esperança e os teus olhos cor de mar pra contemplar.


Mystic